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Quem criou o relógio de ponteiro? July 4, 2008

Posted by Girino Vey in : girinadas, história, muler pelada , add a comment
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Tudo começou hoje de manhã em conversa com a Sharon. Ela falou sobre as buscas “engraçadas” que caiam no blog duma amiga dela. Resolvi ver o que rolava no meu blog. Essa daí eu escolhi pra hoje porque, apesar de não ser engraçada, é fácil de responder :)

Como bom girino que sou, vou dar duas respostas. Uma delas correta, a outra uma girinada. Cabe ao leitor ser esperto e descobrir qual a certa.

Primeira explicação…

Sabe se bem que os relógios de sol foram os primeiros,  e estes usavam um ponteiro único que era a sombra de um braço fixo. Os responsáveis por essa invenção, ao que parece, foram os gnomos. Quer dizer, eu também hesitei em acreditar. Mas a wikipédia falou, tá falado. Mas acho que nosso colega queria saber dos modernos relógios mecânicos, de dois ponteiros móveis. Nisso a controvérsia é ainda maior. Porque de gnomos, criaturinhas mágicas, evoluímos pra uma criaturinha mágica maior e mais vermelha: o Papa. Foi o Papa Silvestre II que ganhou o mérito, mesmo o califa Harum-ahal-muffada tendo muito antes enviado um elefante que sabia ler as horas para a  corte de Carlos Magno.

Chineses e árabes, ao que parece, eram muito bons com toda essa relojoaria, e vários tratados dos séculos IX, X e XI sobrevivem em chinês, árabe e espanhol contando toda essa arte em detalhes. Mesmo assim ainda faltava um pedaço pro relógio de ponteiros: O ponteiro (duh) dos minutos!

Esse daí quem ganhou foi um ser mundano, nada de elefantes, gnomos ou sumo-pontífices… Foi um tal de Irmão Paulo que em 1475 descreveu o primeiro relógio com ponteiro de minutos. Mesmo assim a wikipédia acha que ele carece de fontes.

No fim, meu amigo, acho que não era bem isso que você queria saber! Provavelmente sua professora de ciências não sabia ensinar direito e falou que o Galileu inventou em 1657 o pêndulo, e conseqüentemente o relógio de pêndulo e todos os outros relógios até a invenção do cristal de silício semi-condutor :P

Mas lembre-se: confira toda essa estória, pois pode ser uma girinada!

Outra explicação…

Bah, gnomos e papas… Quem acredita nisso? Os romanos, como se sabe, já marcavam bem o tempo com clepsidras, que eram relógios de água. Inclusive tinha um enorme no prédio do Senado, roubado de Siracusa, é claro, e projetado por Arquimedes. Mas esses não tinham ponteiros. Era o nível da água que indicava o tempo.

Carlos Magno andou revivendo um pouco a civilização européia, e existem registros de clepsidras com ponteiros (na verdade eram marcadores presos numa bóia, igual temos em caixa d’água ou em tanques de gazolina de fusca) que corriam ao longo de uma escala graduada. Mas ainda assim, não é o que você quer.

Os árabes, por outro lado, herdaram do grego a mania de contar as horas a partir de meia noite. Igual fazemos hoje! Parece que era muito útil pra calcular o calendário lunar e o diabo do ramadã deles,que cada ano cai numa época diferente. Pois bem, Seleucidas estabelecidos em Bagdá no século IX herdamos os primeiros relógios de ponteiro. Claro que, numa civilização diferente, numa época tão antiga, os registros não ficam claros, mas em 1088 o matemático e engenheiro árabe Almir al-Satr publicou um livro sobre mecanismos e engenhos em geral que se intitulava (numa tradução porca e mal feita porque não sei árabe e traduzi foi do inglês da wikipédia) “O livro do conhecimento em engenhosos dispositivos mecânicos”. Nesse livro ele descreve vários tipos de relógios com ponteiro único, inclusive um dispositivo baseado em sinos, que poderia tirar toda a glória do Galileu na sua invenção (sim, sim, nessa explicação eu não nego que a sua professora provavelmente é burra e queria que você falasse logo que era galileu, em 1657, porque essa data não dá pra girinar.. É conhecida demais…).

Ainda assim faltava o ponteiro dos minutos, ah esse famigerado ponteiro que nos deixa tantas noites sem dormir enquanto esperamos que ele simplesmente ultrapasse o outro, só pra perceber que ele está novamente tentando alcançá-lo!

O ponteiro de minutos foi uma invenção difícil. Mesmo com os pêndulos de Galileu, as pessoas ainda tentavam se virar com um ponteiro só. Claro que isso causava um enorme transtorno. Imagina o TAMANHO do relógio pra poder caber 60 marcações entre uma hora e outra? Ainda bem que os ocidentais usavam 2 turnos de 12 horas, e não o turno único de 24 horas dos gregos antigos e árabes…

Foi só em 1747 que Voltaire descreve um relógio maravilhoso feito pelo relojoeiro parisiense Mr. Cadran de la Montre, que teria 2 ponteiros, um deles somente para os minutos. Era ainda um “design” primitivo, já que pela descrição de Voltaire, os ponteiros giravam em mostradores distintos. Era como se fossem dois relógios lado a lado: um para os minutos e outro para as horas.

Mas a evolução daí por diante foi rápida, e na década seguinte já praticamente todo relógio fabricado na europa possuía os tais dois ponteiros.

E nessa estória toda, lembrei que sua professora poderia ser ainda mais burra! Nem é relógio de ponteiro o que ela quer, e nem galileu que ela não entendeu. Ela quer mesmo é o relógio de pulso! E pior, ela acha que foi o Santos Dumont. Aí melou, porque a rainha Vitória, da inglaterra, já usava relógios de pulsos feitos pelo relojoeiro do palácio de Buckingham mais ou menos um século antes do nosso anãozinho voador pensar no dele. (Putz, algum ufanista tomou conta da wikipédia e deu um jeito de garantir o lado do Petit Santôs: Ele mais seu amigo relojoeiro Louis Cartier inventaram não o relógio de pulso, mas o relógio de pulso “For men”, afinal os modelos anteriores eram todos para mulheres… Tá bom viu!)

Enfim, se você for curioso, vai investigar e descobrir qual estória está certa. Se for esperto, já vai sair sabendo bem mais que quando entrou, e se for burro vai responder pra professora a verdade e levar um zero. Então, seja sensato. A menos que você consiga desbancar sua professora num debate justo, minta! Diga que foi Galileu, e depois Santos Dumont. É isso que ela quer ouvir! Depois, na surdina do recreio, junte a molecada e mostre esse post no meu blog. Te garanto que a vida da professora nunca mais será a mesma com as risadinhas pelas costas e os desenhos dela com orelhas de burro no quadro negro.

P.S.: Coloquei o post na categoria de “muler pelada” pra ver se dá mais público ;) Confessa que era isso que você tava procurando quando me achou aqui! Confessa!

Um cientista na minha vida June 18, 2008

Posted by Girino Vey in : ciência, coluna social, girinadas , 4comments
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Bom, era um desafio do 100nexos, mas eu acabei sem saber sobre qual dos 3 escrever. de certa forma minha vida foi ditada por esses 3 cientistas, e não vejo como falar sobre um sem falar dos 3.

Um deles, o mais velho, era um desses intelectuais às antigas. Inteligente e brilhante como ninguém, com livre transito pela alta sociedade local. Casou-se com uma filha dessa alta sociedade, e como todo cientista das antigas, usou essa influencia pra garantir a sobrevivência sua e da família, enquanto se dedicava à cátedra e a carreira!

Era um cientista político, e como tal, amigo dos políticos. Sempre conhecido e chamado para grandes eventos, carregado de títulos e medalhas, é de uma época em que um cientista é um gigante entre homens… Uma nobreza à parte, uma aristocracia por si só.

Mas os tempos mudam, e a ciência deixa de ser uma expressão de nobreza para se tornar uma forma de rebeldia. Cientista era aquele que queria lutar contra o status quo de ser “apenas” mais um engenheiro, médico ou advogado. Aquele que queria ser algo mais. É nessa década de 1960 mítica que surgem meus outros dois cientistas. Um, filho de camponeses com ideais de liberdade, a outra oriunda da nobreza intelectual arcaica, buscando um rompimento nas barreiras da ciência. Ele em busca do rompimento do status quo acadêmico, de uma meritocracia real, se sentiu traído quando seus amigos idealistas aderiram ao sistema e abraçaram os cargos deixados pelos antigos mestres de quem discordavam. Ela ainda força as barreiras da ciência em vários sentidos.

Cada um me influenciou da sua maneira…

A ética, a postura e dignidade do primeiro foram sempre um marco, um ideal a alcançar. Sempre que penso em como a ciência deveria ser tratada, me lembro dele. Me lembro do tempo que ele ajudou a construir. Me lembro de hoje, e do que ele nos deixou como legado.

Do segundo, tomei os ideais de liberdade, a rebeldia e a força pra lutar.

Da terceira guardei quase tudo. Até o temperamento esquentado as vezes, educado sempre, carinhoso quando preciso; o gosto pela investigação, a preocupação com o futuro, o respeito pelo próximo, a força de vontade, a facilidade do perdão. Tudo isso veio dela.

A teimosia eu herdei dos três.

Não tem como separar minha vida da vida desses três cientistas: Meu avô, meu pai e minha mãe. A influencia deles e da ciência na minha educação e formação são imensuráveis. Tudo que sou hoje, devo a eles, esses cientistas extraordinários que me criaram e educaram dentro dos seus ideais.

Se hoje os homenageio, é porque sem eles, eu não seria nada.


Sumiço == crash de HD June 2, 2008

Posted by Girino Vey in : nerdices, rant , add a comment
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Sim, eu sumi daqui por uns dias: Perdi tudo do meu HD na quarta passada e ainda estou tentando identificar os motivos do “pau” que deu.

Pra quem tiver interessado…

(more…)


Mandelbrot discostas!!! May 26, 2008

Posted by Girino Vey in : esquisitices, fractais, muler pelada, tatoo , 3comments
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Ou melhor, nas costas:

Nunca pensei em fazer uma tatuagem, mas essa aí mata a pau! (mas a mulerzinha é meio esquisitinha, ombro demais ou quadril de menos, não consegui descobrir ainda)…

link (thanks ricbit)


A história do futebol nunca mais será a mesma… May 15, 2008

Posted by Girino Vey in : história, news , 9comments
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O ano é 1994

Eu, um mero estudante de segundo grau, chego em casa pra encontrar uma tremenda bagunça. Cerca de 10, talvez mais, sujeitos com bolinhas de isopor, pinceis e vidros de tinta das mais diversas cores apinham o quintal enquanto camisetas brancas vão sendo pintadas e postas pra secar. Nas costas, números romanos, todos acima de 13.

Na época eu não entendi a cena, mas estava presenciando um dos episódios mais marcantes da história do futebol brasileiro: O nascimento da Internacionalmente famosa, Poderosa Esquadra Bolínea d’Os Pereba.

Mais tarde, em 1995, tive também a oportunidade de me alistar. Na época o uniforme bolíneo já não era aquele amador, feito no quintal lá de casa, mas um uniforme cuidadosamente projetado, de mangas compridas e vermelhas, e já com o escudo que se tornaria temido em todos os campos e gramados: A bola quadrada d’Os Pereba.

Nesse ano vinha nascendo também outra novidade. Uma que, mesmo não sendo tão famosa e conhecida como Os Pereba foram, acabou durando mais tempo: A Internet. E Os Pereba, que sempre foram pioneiros, abraçaram essa nova tecnologia: em 1995 ainda, logo depois da segunda turnê nacional d’Os Pereba, surgiu o site d’Os Pereba. E enquanto a internet caminhava a passos lentos e outros clubes menos importantes como Flamengo, Corinthians e Atlético Mineiro ainda penavam para se ver online, Os Pereba inauguravam sua página, aclamada nas páginas das revistas especializadas.

Mas isso foi há muitos anos. A internet, hoje, não é mais o que era, e Os Pereba, infelizmente, não passam de mais uma lenda ao lado do Cosmos de Nova Iorque ou dos Harlem Globetrotters. O nosso patrimônio cultural foi se dissolvendo e sendo dilapidado por ingerências administrativas posteriores, como acontece em todo clube, e por fim Os Pereba fecharam as portas.

Os fãs não se conformavam. Os pedidos para que Os Pereba voltassem duraram anos até serem nada mais que mero murmúrio na memória de nossa torcida. Mesmo assim a fé move montanhas, e o Sapão, nosso ex-poeta e ex-fotógrafo oficial financiou uma expedição de arqueologia cultural: Ressuscitar a página d’Os Pereba. Graças a uma busca aprofundada nos servidores de nosso ex-Perebisidente, os arquivos perdidos d’Os Pereba foram finalmente recuperados e, graças a um extenso trabalho de restauração, estão novamente abertos ao público:

Está novamente no ar a página original da internacionalmente famosa Poderosa Esquadra Bolínea d’Os Pereba.

Um enorme esforço de arqueologia cultural nos permite apreciar novamente esta que poderia vir a ser a oitava maravilha do universo. Amigos, Contemplem!

link (@ girino.org )

Gaveteiro fractal (ou quase) May 12, 2008

Posted by Girino Vey in : design, fractais , add a comment
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Foto por: Takeshi Miyakawa Design

Mais uma vez graças ao Boing Boing, uma peça de Design seguindo o estilo fractal: Este gaveteiro projetado pelo estúdio Takeshi Miyakawa Design, de Nova Iorque. Fractal 23, nome dessa peça, é um dos muitos designs com inspirações geométricas desse estúdio.

link (via Boing Boing)